Lição 6 – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem

Lição 6 – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem

Trimestre: 4° trimestre de 2020 -CPAD – 8 de Novembro de 2020

Texto Áureo: “Lembra-te, agora: qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos?  Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo.”  (Jó 4.7,8)

Leitura Bíblica em Classe: Jó 4.1-8; Jó 15.1-4; 22.1-5

Introdução: É preciso entender que todo esse enredo se deu no período patriarcal onde não existia qualquer palavra escrita a respeito de Deus. O conhecimento de Deus vinha através por comunicação oral do que era transmitido de um para outro. Portanto observa-se que Jó tinha algum conhecimento a mais, que alcançava através das suas experiências como sacerdote do lar realizando sacrifícios de animais em holocausto e também pelas suas orações que elevava a Deus. Jó pelo que revela a história viveu no tempo do patriarca Abraão, portanto era seu contemporâneo. O conhecimento de Deus mais aprofundado sucedeu somente através do Pentateuco que foi escrito por Moisés. Diante disso é possível afirmar que os amigos de Jó julgavam conhecer Deus por suas próprias intuições formulando as suas idéias e pensamentos individualmente, sem qualquer base sólida para isso. Assim podemos observar que a teologia de Elifaz era totalmente contraditória em relação a um Deus teísta e não deísta. O teísmo entende que Deus criou todas as coisas e nunca abandonou a Sua criação, já o deísmo entende que Deus criou todas as coisas, mas abandonou a sua criação a sua própria sorte. Elifaz era voltado ao pensamento deísta e com isso tenta persuadir que Jó tendo pecado não poderia contar com a presença de Deus, para reverter a sua situação.  

  1. Elifaz inicia a conversa primando as boas ações de Jó em prol do próximo.

Jó 4.1 – Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: Jó 4.2 – Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderá conter as palavras? Jó 4.3 – Eis que ensinaste a muitos e esforçaste as mãos fracas. Jó 4.4 – As tuas palavras levantaram os que tropeçavam, e os joelhos desfalecentes fortificaste.

Elifaz enaltece as virtudes beneficiadoras que Jó possuía e, em parte até que era um testemunho verdadeiro e quando procurou lisonjear a Jó, com observações elogiosas e corteses, mas a sua intenção era outra. Jó estava muito abatido e confuso consigo mesmo e para se iniciar um diálogo com ele exigia-se certa precaução, pois estava sob extrema pressão emocional e física. Isto porque, na concepção de Elifaz, Jó estava passando por todo esse sofrimento, porque havia pecado e estava sendo castigado por Deus. Com essa visão Elifaz inicía o seu diálogo fazendo assim um juízo próprio através da sua teologia estribada pelo próprio entendimento filosófico.  Jesus disse, não julgueis, para não seres julgado. 

  1. Elifaz cria que Deus não castiga um justo, e sim, só quem comete pecado. 

Jó 4.5 – Mas agora a ti te vem, e te enfadas; e, tocando-te a ti, te perturbas. Jó 4.6 – Porventura, não era o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança, a sinceridade dos teus caminhos? Jó 4.7 – Lembra-te, agora: qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? Jó 4.8 – Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo.

Elifaz passando da fase introdutória no diálogo com Jó, ele parte para a parte acusatória, a qual é a que realmente ele intencionava. As palavras duras de Jó contra si próprio e mesmo contra o próprio Deus, não poderiam ficar sem resposta e a primeira fala de Elifaz é iniciada com uma repreensão por sua falta de paciência. Levando em conta que Jó sempre procurou confortar a outros e agora sem estar na sua zona de conforto esquecia-se dos seus próprios conselhos. O seu temor e comunhão com Deus deveria mantê-lo firme nesse período de turbulência, sem entregar-se ao desânimo profundo. Elifaz acusa dentro da lei da semeadura e colheita, que Jó estava colhendo algo de mal, o qual em algum momento semeou. Elifaz tinha uma idéia fixa em relação a essa lei, pois entendia que qualquer pessoa que entrasse num sofrimento é porque havia pecado. Na realidade nem todos que passam por infortúnios cometeram algum pecado, pois infortúnios são consequências de alguma situação adversa que pode acontecer com qualquer um. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, pois Eu venci o mundo. 

  1. Elifaz refuta os argumentos de Jó dizendo que eram vãos e insignificantes.

Jó 15.1 – Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: Jó 15.2 – Porventura, dará o sábio, em resposta, ciência de vento? E encherá o seu ventre de vento oriental, Jó 15.3 – arguindo com palavras que de nada servem e com razões que de nada aproveitam? Jó 15.4 – E tu tens feito vão o temor e diminuis os rogos diante de Deus.

Elifaz estava tão obcecado em defender a sua tese acusatória, que refuta com veemência todos os argumentos expostos por Jó em sua defesa. Pessoas obstinadas em acusar alguém, dificilmente aceitam o contraditório composto de um ampla defesa do acusado. Quem age dessa maneira costuma distorcer propositadamente qualquer argumentação daquele que mesmo usando palavras sábias expõe as razões da sua situação aflitiva. Elifaz não recua em momento algum nos seus princípios sobre os quais estava acusando Jó. Elifaz insinua que toda a argumentação de Jó era totalmente improcedente e vazia e que mais que argumentasse em sua posição de justo não o convenceria do contrário. 

  1. Elifaz repreende a Jó em suas queixas e atitudes como Deus sendo injusto.

Jó 22.1 – Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: Jó 22.2 – Porventura, o homem será de algum proveito a Deus? Antes, a si mesmo o prudente será proveitoso. Jó 22.3 Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro algum em que tu faças perfeitos os teus caminhos? Jó 22.4 – Ou te repreende pelo temor que tem de ti, ou entra contigo em juízo? Jó 22.5 – Porventura, não é grande a tua malícia; e sem termo, as tuas iniquidades?

Elifaz acusa Jó de ter cometido coisas graves, que foram mantidas em oculto supondo que Deus o punia com esse rigor, por todo mal que ele poderia ter praticado. Jó, como muitas pessoas íntegras e honestas, ser mal interpretado e julgado por pessoas que se dizem amigos é algo muito difícil de suportar. Nos conselhos que Elifaz dá a Jó, estava uma condicional de confessar o seu suposto pecado para que Deus usasse de misericórdia e lhe restituísse a sua prosperidade anterior. Mas isso na realidade era uma armadilha diabólica para que Jó confessasse algo que não praticara como se estivesse praticado, apenas para se livrar das acusações dos seus amigos. Nesse caso Jó entraria no pecado da mentira e tudo que Deus testemunhou a respeito dele cairia por terra. Satanás era ali junto com os amigos de Jó o advogado de acusação e Deus era o seu advogado de defesa e nesse caso Jó estava sendo bem defendido e orientado pelo advogado dos advogados. 

Pastor Adilson Guilhermel