EBD – Lição 7 – A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há Pecado Oculto?

 Lição 7 – A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há Pecado Oculto?
Texto Áureo: “Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão.” (Jó 4.7,8)
Leitura Bíblica em Classe: Jó 8.1-4; Jó 18.1-4; 25.1-6

Introdução: O raciocínio dos amigos de Jó defendem que a vida é boa para os bons e má para os maus. Partindo dessa premissa, eles procuram deixar claro que com seu sofrimento Jó certamente pecou e para ser restaurado a prosperidade de outrora, ele deveria confessar o suposto pecado para alcançar essa condição. Entendiam que Jó colhendo algum mal que havia semeado e que todo o sofrimento se deve ao pecado, mas esse é um pensamento falso idealizado pelo próprio homem. 

I – O PECADO EM CONTRASTE COM O CARÁTER JUSTO E SANTO DE DEUS

Jó 8.1 – Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse: Jó 8.2 – Até quando falarás tais coisas, e as razões da tua boca serão qual vento impetuoso? Jó 8.3 – Porventura, perverteria Deus o direito, e perverteria o Todo-Poderoso a justiça? Jó 8.4 – Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão.

Bildade repreende Jó pela sua fala impetuosa que não apresentava qualquer conteúdo que pudesse abrandar a sua situação. Assim como Elifaz, Bildade também não concordava com as falas de Jó fazendo a sua defesa. Não aceita a premissa de Jó de que suas calamidades representam uma ação injusta da parte de Deus. O que Bildade não sabia era que o sofrimento vindo pelas fatalidades e também pela   doença de Jó foram obras de Satanás, embora tudo isso com a permissão de Deus. Desse modo entende-se que Deus não feriu Jó com as ulcerações por todo corpo, e sim Satanás. Bildade também sarcasticamente também coloca os filhos de Jó na mesma situação dizendo que eles foram mortos porque haviam pecado e que o fim de Jó seria o mesmo dos filhos se não se arrependesse. Na teologia de Bildade, o pecado recebe o seu próprio castigo, ou seja, ou a doença ou a morte. Esse é um tipo de raciocínio de alguém com uma mentalidade cruenta e insensível com o sofrimento alheio. É alguém que não enxerga Deus como um Ser sensível e que não tem prazer no sofrimento humano. 

II – O PECADO VISTO COMO QUEBRA DA MORALIDADE TRADICIONAL

Jó 18.1 – Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse: Jó 18.2 – Até quando usareis artifícios em vez de palavras? Considerai bem, e, então, falaremos. Jó 18.3 – Por que somos tratados como animais, e como imundos aos vossos olhos? Jó 18.4 – Ó tu, que despedaças a tua alma na tua ira, será a terra deixada por tua causa? Remover-se-ão as rochas do seu lugar?

Bildade procurou se fixar nas queixas de Jó sobre as suas condições sofríveis que estava passando, como até desejando deixar este mundo. Bildade se baseia nessas queixas para insinuar que essa era a condição de um homem ímpio; e, portanto se referindo, que Jó era um deles. Pessoas insensíveis com o sofrimento alheio, ao invés de usar palavras de ânimo, usa palavras amargas e se ostentando como um homem sábio afrontava Jó, não discernindo que estava servindo as intenções de Satanás para afligir a Jó mais ainda. Como Jó os descreveu como zombadores, cruentos, insensatos e nada mais além disso, Bildade ficou alterado, mas as verdades tem que ser ditas frontalmente e não pelas costas. Bildade usa uma linguagem simbólica com o universo físico para o universo moral, como se Deus para favorecer Jó mudaria o princípio fundamental do castigo pelo pecado para que ele, Jó, pudesse se manter íntegro. Para Bildade, Jó era culpado e o seu sofrimento é a prova da sua impiedade e não tinha como se justificar.  

III – O PECADO EM CONTRASTE COM A MAJESTADE DE DEUS

Jó 25.1 – Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse: Jó 25.2 – Com ele estão domínio e temor; ele faz paz nas suas alturas. Jó 25.3 – Porventura, têm número os seus exércitos? E para quem não se levanta a sua luz? Jó 25.4 – Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce da mulher? Jó 25.5 – Olha, até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos. Jó 25.6 – E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho!

Para falar de Deus com profundidade teológica é necessário ter conhecimento, sabedoria, e muita comunhão com Ele. Também é necessário muita humildade em reconhecer que por mais conhecimento que temos dele, sempre a muito mais para conhecer. Alguns atributos de Deus, tais como; o Seu domínio, poder, soberania nos tres céus; atmosférico, espacial e celestial revela que tudo está sob o Seu controle, e Ele vê tudo o que se passa em qualquer destes lugares. Tem também miríades de anjos de todas as ordens que formam um grande exército sob o seu comando para qualquer situação. Bildade duvidava que sendo Deus santo e justo, como era possível um simples ser humano como Jó, ser justo diante dele. Um coisa que Bildade não discernia diante de todas as pressões impostas por eles a Jó, é que ele estava se mantendo inabalável na sua integridade e se recusando a confessar um pecado que não tinha praticado. Continuando na sua provocação dizia como um ser humano que não passa de um verme, dizer-se justo diante de Deus. As palavras de Bildade não poderiam ajudar Jó em nada, porque as suas palavras não vinham de Deus, e sim de Satanás.

Pastor Adilson Guilhermel