Lição 8: A Teologia de Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

Lição 8: A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?

Texto Áureo: “E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.” (Jó 11.18)

Leitura Bíblica em Classe: Jó 11.1-10; 20.1-10

Introdução: Zofar tinha uma teologia infundada, pois era focada dentro da ótica humana, sendo totalmente divergente na questão da justiça divina. Evidentemente que nenhum dos dois, tanto Zofar como Jó, não sabiam o motivo daquela situação que envolvia um sofrimento cruento que Jó passava. Como nada foi revelado acerca dessa disputa entre Deus e Satanás, Zofar com a sua teologia insensata e carnal, não aceitava de modo algum, qualquer justificativa da parte de Jó, que declarasse a sua inocência. Desse modo o fato se desenrolou com uma guerra de palavras entre os dois, onde nenhuma das partes cedia na sua argumentação, uma de acusação e outra de defesa. Zofar defendia a tese de que o justo não passa por tribulação dizendo que isso é coisa para ímpio e não para os justos. Na realidade quem mais passa por tribulação, não são os ímpios e sim os justos, pois os justos são os que não servem a Satanás e isso faz com que ele viva rugindo como um leão tentando tragar aqueles que foram salvos por Deus.

  1. A teologia mal aplicada que olha a pessoa e não a sua situação, não é de Deus.

Jó 11.1 – Então, respondeu Zofar, o naamatita, e disse: Jó 11.2 – Porventura, não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado? Jó 11.3 – Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? Jó 11.4- Pois tu disseste: A minha doutrina é pura; limpo sou aos teus olhos.

Zofar estava incomodado com as longas falas de Jó, munidas de argumentações sábias, as quais exigia muito dele para debater. Zofar não tendo uma argumentação a contento para manter a conversa em nível alto, ele parte para a ironizar Jó. Zofar procurava descrever Jó ao contrário do ele realmente era e partiu para a agressão de palavras, chamando-o de mentiroso de zombador e que todo castigo que viesse sobre ele seria um ato de justiça divina. A diferença que envolvia essa guerra de palavras, era que Zofar era um homem com uma teologia carnal de conceitos próprios e Jó era um homem que usava de uma teologia espiritual de conceitos divinos. Um sábio intelectual, nunca terá vantagem contra um sábio espiritual em relação às coisas de Deus.

  1. O homem pode até ser sábio e bom, mas sem a sabedoria da palavra é um tolo. 

Jó 11.5 – Mas, na verdade, prouvera Deus que ele falasse e abrisse os seus lábios contra ti, Jó 11.6 – e te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniquidade.

Algo que não é sábio, embora Zofar se julgasse ser, é desejar que Deus corrija alguém, como fez esse suposto amigo de Jó. Ninguém pode determinar o que Deus deve fazer, como vemos alguns pseudo líderes usando desses meios para impressionar o povo, como alguém cheio de autoridade. Esse procedimento é coisa de indivíduos arrogantes e soberbos que conduzem o povo sem nenhuma espiritualidade e direção divina. Foi o que fez Zofar com a sua arrogância despejando todo o seu amargor contra Jó acreditando que estava prestando serviço a Deus. Zofar usava de um princípio dogmático de que o que se semeia acaba colhendo, mas com toda a sua teologia não conseguia explicação do porque que o justo sofre, isto porque, ele estava totalmente obstinado em acusar e não em defender. 

  1. O tolo ignora que o governo divino transcende o governo da justiça do homem.

Jó 11.7 – Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso? Jó 11.8 – Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o inferno; que poderás tu saber? Jó 11.9- Mais comprida é a sua medida do que a terra; e mais larga do que o mar. 10 – Se ele destruir, e encerrar, ou juntar, quem o impedirá?

Alguém com uma teologia própria tem condições de falar sobre um Deus transcendental com se tivesse acesso a Ele por revelações? Isso seria algo impossível, mas Zofar acreditava que tinha essas revelações, o que era coisas da sua própria mente. Nada que Deus mantém em oculto é impossível discernir, se Ele não nos revelar. Deus é revelado somente através das Escrituras e, é necessário buscá-lo com humildade através de uma comunhão perfeita com Ele, para irmos descobrindo coisas a Seu respeito. Mesmo com um grande conhecimento a respeito de Deus, não podemos alcançar a Sua perfeição, mas Ele nos deu a condição de ser aperfeiçoados pelo Espírito Santo. Isso é algo contínuo, para que cheguemos a ser tal como Ele é, quando atingirmos a estatura do varão perfeito ao sairmos deste plano terreno. 

  1. Quem gosta de criticar se ofende fácil; ignora que a resposta branda desvia a ira.

Jó 20.1 – Então, respondeu Zofar, o naamatita, e disse: Jó 20.2 – Visto que os meus pensamentos me fazem responder, eu me apresso. Jó 20.3 – Eu ouvi a repreensão, que me envergonha, mas o espírito do meu entendimento responderá por mim. Jó 20.4 – Porventura, não sabes tu que desde a antiguidade, desde que o homem foi posto sobre a terra, Jó 20.5 – o júbilo dos ímpios é breve, e a alegria dos hipócritas, apenas de um momento? Jó 20.6- Ainda que a sua altura suba até ao céu, e a sua cabeça chegue até às nuvens, Jó 20.7 – como o seu próprio esterco perecerá para sempre; e os que o viam dirão: Onde está? Jó 20.8 – Como um sonho, voa, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite. Jó 20.9 – O olho que o viu jamais o verá, nem olhará mais para ele o seu lugar. Jó 20.10 – Os seus filhos procurarão agradar aos pobres, e as suas mãos restaurarão a sua fazenda.

Zofar se julgando o sábio em tudo e dono da verdade, ao ser refutado por Jó reage irritado a sua fala e se magoa por ter sido repreendido. Nessa guerra de palavras entre os dois, Zofar não admitia perder para Jó, mas na realidade ele estava perdendo, porque Jó mantinha a sua tese de homem fiel e íntegro. O argumento que Zofar usava para ironicamente atingir Jó é que o homem perverso que alcança um grande sucesso, terá uma queda maior quando sobrevém o julgamento. Assim, Zofar insinua que o sofrimento de Jó era resultado do julgamento divino e que a sua vida já estava prestes a se extinguir. Ele coloca Jó como um homem perverso que ao morrer seu nome desaparecerá e ninguém mais se lembrará e que a verdade não confessada virá a tona. Jó apesar de todas essas afrontas acusatórias em momento algum demonstrou fraqueza diante dos seus acusadores, pois ele sabia que o Seu Redentor uma dia se levantaria em sua defesa. 

Pastor Adilson Guilhermel – th.M